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  • Foto do escritorDenis Silveira

A Liderança Positiva é a Competência do Futuro. [Parte 1: Contextualização]

Atualizado: 24 de jul. de 2022


O choque do futuro é a absoluta desorientação trazida pela chegada prematura do futuro. [Alvin Toffler]


Podemos dizer que o mundo passou por 4 grandes transformações globais: A Revolução Industrial, a Revolução Tecnológica, a Revolução Eletrônica e a Revolução Digital. Entretanto, de todas estas grandes revoluções, a digital se destaca como sendo aquela que mais impactou nosso planeta e seus habitantes.


A revolução digital acontece a cada instante. A cada segundo algum aparelho, algum sistema ou alguma inteligência artificial fica obsoleta. Para se ter uma ideia, o primeiro computador eletromecânico foi construído por Konrad Zuse (1910–1995). Em 1936, esse engenheiro alemão construiu o Z1 a partir de relês que executavam os cálculos e dados lidos em fitas perfuradas. Zuse tentou vender o computador ao governo alemão, que desprezou a oferta, já que não poderia auxiliar no esforço de guerra.

Konrad Zuse apresentando o Z1.

Os projetos de Zuse ficaram parados durante a guerra, dando a chance aos americanos de desenvolver seus computadores.

Foi então que em 1943, durante o período da Segunda Guerra Mundial, o computador atual nasceu. A Marinha dos Estados Unidos, em conjunto com a Universidade de Harvard, desenvolveu o computador Harvard Mark I, projetado pelo professor Howard Aiken, com base no calculador analítico de Babbage.


O computador Harvard Mark I.

O Mark I ocupava 120m3 aproximadamente, e podia multiplicar dois números de dez dígitos em três segundos. Desde então, ter um computador era absurdamente caro e era privilégio apenas de grandes empresas e universidades. Naquela época, ver um computador em sua frente era o evento do ano. Hoje, um simples smartphone, de qualquer marca é mais potente, inteligente e moderno que todos os computadores da NASA, que na década de 60, levaram o homem à Lua.


Hardware dos computadores da NASA, década de 60.

Os computadores da NASA, daquela época, pesavam 32kg, tinha 2KB de memória RAM, além de oferecer um poder de processamento de 2 MHz (o equivalente a uma calculadora científica atual). Um iPhone 7, por exemplo, pesa 138g, possui 256GB de armazenamento, 2GB de memória RAM e processamento de 800 MHz dual-core. Interessante que enquanto os computadores da NASA tinham 2KB de memória, um smartphone não vai ao mercado com menos de 2.000.000KB de memória.


Ao contemplarmos estas grandes transformações da revolução digital na linha do tempo, percebemos um fenômeno intrigante, que foi alertado por Alvin Toffler. No final da década de 60, bem quando a Revolução Eletrônica [ou Indústria 3.0] estava prestes a "explodir", Toffler descobriu que o espaço de tempo de uma grande transformação global à outra sempre diminuía conforme o passar do tempo. Ao colocar estas grandes revoluções na linha do tempo, ele obteve o seguinte cenário:

- Revolução Industrial [Industria 1.0]: Implementada após 1760 anos da era cristã.

- Revolução Tecnológica [Indústria 2.0]: Implementada após 111 anos.

- Revolução Eletrônica [Indústria 3.0]: Implementada após 98 anos.


Frente a este cenário, ele concluiu que as próximas transformações aconteceriam cada vez mais exponenciais em um espaço de tempo cada vez mais curto. Ele previu que como consequência as pessoas sofreriam uma espécie de estresse nunca visto antes. Ele descreve este fenômeno em seu best seller intitulado como "Choque Do Futuro", o que mais tarde viria a ser o principal livro de Mega Trends do século passado.


Publicado em 1970, a obra "O Choque do Futuro" foi pioneira em apresentar os impactos do futuro de uma maneira radical. Em sua obra, Alvin Toffler leva seus leitores a refletirem sobre o futuro que desejam, bem como seus papéis na construção dele. O livro foi escrito durante um dos períodos mais tensos da história norte-americana. A Guerra do Vietnã estava em seu auge, e protestos estavam sendo realizados no país. Vários movimentos que defendiam os direitos civis da população, como segregação racial e discriminação de gênero, também aconteciam em diversos lugares dos Estados Unidos.

A tecnologia ainda não era tão avançada na época em que o livro foi publicado, entretanto, já provocava verdadeiros "choques" em seus leitores com suas previsões futuras. Toffler percebeu que o futuro seria influenciado pelos enormes avanços tecnológicos, e portanto, chegaria de forma cada vez mais prematura e extrema para todos. Toffler também percebeu que embora as mudanças estivessem sendo aceleradas, as pessoas não estariam preparadas para lidar com aquela realidade.


"O choque é um fenômeno temporal, um produto do ritmo grandemente acelerado das mudanças na sociedade. Ele surge da superimposição de uma nova cultura sobre uma outra mais antiga. Ele é equivalente a um choque cultural dentro da própria sociedade. Mas o seu impacto é muito pior." – Alvin Toffler


Mais tarde, no início dos anos 80, ao publicar seu próximo grande sucesso "A Terceira Onda", Toffler chamou aquelas três grandes revoluções industriais de ondas e percebeu que, especificamente, a "Terceira Onda", abriria caminho para a transformação mais radical e rápida de todas; e mais uma vez, Toffler acerta. Após apenas 3 décadas, posteriormente à revolução eletrônica, o mundo experimenta a maior revolução de todas; a indústria 4.0.


À partir de 2010 a Revolução Digital da indústria 4.0 provoca o maior choque de todos, pois apresenta ao mundo algumas características disruptivas, tais como, AIoT [Inteligência Artificial e Internet das Coisas], digitalização, eletrificação e sistemas cibernéticos ligados à engenharia e mecatrônica.


De acordo com a Stefanini Group, revolução 4.0 engloba tecnologias avançadas do setor da automação aliadas às ciências da informação e aplicadas nos processos de manufatura. As novas indústrias têm estrutura modular e descentralizam as tomadas de decisão de forma a agilizar as entregas conforme as demandas do setor. Outro ponto fundamental é que essa inovação é capaz de receber informações em tempo real. Assim, é possível proporcionar as adequações necessárias para aprimorar o fluxo de trabalho, tornando a cadeia de operações mais eficiente.


Ainda de acordo com a Stefanini Group, alguns princípios e características bem específicos da indústria 4.0 a diferenciam de uma simples automação. Entre eles, podemos destacar as principais características abaixo:


1. Descentralização:

Fábricas inteligentes têm sistemas ciberfísicos com a habilidade de tomarem decisões sem necessitar da intervenção humana. Assim, as atividades são realizadas da maneira mais autônoma possível.


2. Virtualização:

Outra característica importante é a possibilidade de criação de uma cópia virtual da indústria. Com o uso de sensores de dados interconectados, é possível desenvolver modelos de plantas virtuais que permitem criar espécimes para simular e monitorar os processos que estão implementados na indústria.


3. Tempo real:

A virtualização e a alta tecnologia garantem a capacidade de realizar análises em tempo real. Com isso, o grande volume de dados coletados gera conhecimento para análises e entrega resultados otimizados imediatamente.


4. Interoperabilidade:

A interação entre humanos e máquinas, a computação em nuvem, a utilização da internet das coisas e outros são importantes características das fábricas inteligentes. Essa capacidade de integração é a chamada interoperabilidade.


5. Modularidade:

A indústria 4.0 precisa saber se adaptar a requisitos mutáveis. Além disso, ela precisa ser flexível o suficiente para se adequar em tempo real às inovações e alterações. Para isso, é importante que haja expansão em módulos individuais, com a descentralização da tomada de decisão, de forma a modificar e customizar a produção conforme as necessidades.


Diante de tantas transformações, fica mais fácil entender o porquê dos diferentes tipos de gerações. Em cada revolução que o mundo presenciava, as pessoas, após assimilarem a nova realidade, apresentavam hábitos, comportamentos e pensamentos completamente diferentes da geração anterior. Consequentemente, o mundo corporativo começou agregar os mais diversos tipos de perfis comportamentais, orientados pelas características predominantes de cada revolução.


Por exemplo: enquanto as pessoas da Geração X, predominantemente, buscam estabilidade, as pessoas da Geração Y geralmente buscam melhoria contínua e um plano de carreira sólido. Agora, quando olhamos para o cenário atual, percebemos uma nova geração despontando com mentalidade e cultura completamente diferentes... são pessoas preocupadas com propósito, desafio, sustentabilidade, tecnologia e alta capacidade de mudar e assimilar o "novo". Isso significa que, liderar pessoas após a virada do milênio acabou sendo mais um item da lista de preocupações dos gestores de hoje.


Continua...


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