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  • Foto do escritorDenis Silveira

Por que Há Pessoas Que Se Julgam Tão Incríveis?

Atualizado: 6 de jun. de 2022

Pesquisas relatam que no ambiente corporativo inovador há pessoas que se julgam grandes especialistas; mas na verdade, são profissionais que frequentemente dizem por quê alguma coisa dará errado. Entenda como isso acontece e descubra 3 dicas práticas para evitar cair nesta cilada.


Em 6 de janeiro de 1996, McArthur Wheeler assalta dois bancos na cidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, em plena luz do dia. O mais interessante é que ele não usou máscara ou disfarce, e nem se quer tentou se esconder das câmeras de segurança. Evidente que, em poucos minutos, McArthur foi identificado pelas câmeras de circuito interno e preso pouco menos de uma hora depois do roubo. Enquanto era encaminhado para delegacia, McArthur exclamava consternado: “Mas eu usei o suco de limão!


Alguém havia dito a McArthur que lavar o rosto com suco de limão o tornaria "invisível" para as câmeras de segurança. Segundo os relatos, o próprio McArthur não acreditou muito nesta “dica”, por isso, antes de qualquer coisa, fez um experimento em si mesmo. Esfregou suco de limão no rosto e tirou uma selfie com sua câmera Polaroid. Para sua surpresa, devido a algum descuido de enquadramento ou algum defeito durante a revelação instantânea da foto, o seu rosto, de fato, não apareceu na foto! Por isso, ele se encorajou a roubar os bancos, certo de que não poderia ser identificado.


Esta história, após ser publicada em um jornal local, chamou a atenção de David Dunning, um professor de psicologia da Universidade de Cornell. Indignado, se perguntava: como alguém poderia ficar tão confiante com relação à uma ideia tão absurda? Dunning decidiu convidar seu aluno, Justin Kruger, para investigar a hipótese de que a confiança que as pessoas depositam no próprio conhecimento nem sempre tem a ver com a quantidade ou qualidade do conhecimento que elas de fato possuem.


David Dunning e Justing Kruger, após estudarem cuidadosamente o caso de McArthur Wheeler, descobriram que todos nós dividimos este mesmo comportamento em diversas áreas do convívio social; ou seja, somos imprecisos em avaliar a extensão de nossos conhecimentos e habilidades. A verdade é que, frequentemente, superestimamos o quanto sabemos.

Durante o estudo, os pesquisadores entrevistaram vários engenheiros de duas empresas específicas. Eles foram perguntados se faziam parte do grupo seleto de 5% dos melhores profissionais de sua organização e o resultado foi que 32% dos engenheiros da Empresa 01 e 42% dos engenheiros da Empresa 02 afirmaram, com certeza, estar entre os 5% melhores de toda a organização - algo impossível e ilógico. Este fenômeno foi chamado de "Efeito Dunning-Kruger”.

Um exemplo prático do Efeito Dunning-Kruger pode ser encontrado nas audições de reality shows, como o "Ídolos" por exemplo, onde vários candidatos ficavam verdadeiramente chateados por serem reprovados e/ou avisados de que não cantavam tão bem como imaginavam.


Na área corporativa, o efeito Dunning-Kruger pode ser ainda mais devastador, revelando o que chamamos de "dupla maldição", pois aqueles que possuem nível baixo de competência, podem não apresentar maturidade necessária para reconhecer que pouco sabem, que precisam de ajuda ou que não estão preparados para uma possível promoção ou reconhecimento.

Neste sentido, baseados na correlação Maturidade x Competências, os pesquisadores Paul Hersey e Kenneth Blanchard construíram uma metodologia de liderança situacional, que se resume em um modelo de liderança ideal para equipes, cujas pessoas apresentam diferentes níveis de competência e maturidade; principalmente em momentos de crise.


Esta metodologia permite o gestor determinar, persuadir, compartilhar ou simplesmente delegar as tarefas aos colaboradores de acordo com suas aptidões, deficiências e a maturidade de reconhecimento que possuem de si mesmos. Por isso, precisam estar muito atentos aos pontos fortes e fracos de cada colaborador.


Saber comandar o negócio e sua equipe durante as horas de dificuldade é um diferencial do líder situacional. Esse profissional consegue contornar e eliminar os problemas, adaptando-se ao ambiente e delegando tarefas aos liderados de acordo com cada perfil, demonstrando assim, sensibilidade e atenção para perceber as aptidões individuais dos integrantes do grupo.


Por outro lado, aqueles colaboradores, que de fato, são demasiadamente competentes, acreditam que não são tão bons quanto pensam outras pessoas, pois devido ao seu alto conhecimento e maturidade, possuem plena visão sistêmica de que ainda há muito que aprender e desenvolver.

No final das contas, o efeito Dunning-Kruger, de certa forma, considera que todos somos cegos quanto às nossas reais capacidades. Por esta razão, para que líderes e liderados fiquem atentos e tenham certa lucidez para não tropeçarem durante sua prática profissional, seguem abaixo algumas dicas práticas que podem ajudar:

Tenha coragem de perguntar por feedback. Questionar e perguntar sobre suas habilidades e práticas é uma forma de enxergar aquela "sujeira que está bem na testa", ou seja, as áreas cinzentas da sua prática profissional que são percebidas apenas com auxílio de um "espelho". E se caso as respostas forem consistentes e coerentes, considere provocar algumas mudanças em si mesmo - tanto técnicas quanto comportamentais.


Mantenha-se sempre aprendendo. A educação corporativa é mais do que um treinamento curricular ou o desenvolvimento de habilidades específicas. São ações que estimulam o desenvolvimento dos colaboradores e gestores de forma aliada às estratégias e objetivos da empresa. Isso, no final das contas, incentiva processos de inovação e a melhoria contínua da corporação.


Seja humilde. Para Jim Collins, professor da Universidade de Harvard e considerando o "Guru da Gestão", somente os líderes humildes conseguem fazer com que os outros sigam uma causa em vez de seguir eles mesmos. Por sua vez, colaboradores humildes são perfeitos para atuarem em projetos de inovação, pois os grandes pioneiros da inovação não são aqueles que inovam demais, mas sim os que fazem isso da melhor maneira; curiosamente, na visão de Collins, aqueles que têm humildade suficiente para copiar e/ou adaptar as boas "invenções" que os outros já tiveram.

Por fim, tenhamos sempre em mente o que os verdadeiros "gênios" da nossa história acreditam; que a ignorância se parece muito mais com confiança do que com conhecimento. E de uma coisa podemos ter certeza: a ignorância é atrevida... em qualquer lugar ou em qualquer situação!

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